Compostagem doméstica: por que e como fazer

A compostagem é uma solução para o lixo orgânico, ajudando também na redução de gases do efeito estufa

Você sabia que metade do resíduo sólido gerado no Brasil é de matéria orgânica? Pois é. De acordo com dados da Abrelpe (Associação Brasileira de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), relacionados aos anos de 2018 e 2019, 36,5 milhões de toneladas de lixo orgânico são produzidas anualmente no país. Porém, deste montante, apenas 1% é reaproveitado. 

Na cidade de São Paulo, por exemplo, cerca de 6 mil toneladas de resíduos orgânicos são coletados cotidianamente e alocados em aterros sanitários. Nesses locais, ao entrarem em decomposição, os sedimentos acabam gerando gás metano, um dos principais causadores do efeito estufa. 

Dessa forma, com a quantidade exorbitante de lixo gerada anualmente, a quantidade de metano produzido em lixões e aterros brasileiros também não é diferente: "Se os resíduos orgânicos descartados em um ano no Brasil fossem submetidos em processos de tratamento, as emissões reduzidas seriam o equivalente à retirada de sete milhões de automóveis das ruas”, declarou o diretor da Abrelpe, Carlos Silva Filho. Uma nova destinação para esses resíduos, no entanto, poderia reduzir as emissões de gases tóxicos e também melhorar a saúde da população.

COMPOSTAGEM COMO ANTÍDOTO 

A compostagem, um processo de "reciclagem" da matéria orgânica, é um antídoto potente para esse efeito negativo. Com a compostagem, a decomposição do lixo orgânico, em vez de produzir gases tóxicos, gera um adubo natural, que pode ser utilizado no cultivo de plantas, jardins e até mesmo na agricultura.

Se agíssemos de forma coletiva, com iniciativas governamentais e privadas, o tratamento correto dos resíduos resultaria em grandes impactos benéficos para o meio ambiente, como vimos acima, e também para a sociedade, aumentando a qualidade de vida e a conscientização da população. "A boa gestão da fração orgânica incentiva a redução do desperdício de alimentos, pois estimula a separação e a reciclagem de materiais descartados", diz Carlos. 

Em tese, os lixos domiciliares deveriam ser separados em três frações: recicláveis, orgânicos e rejeitos – e apenas esses últimos, que não são cabíveis de reaproveitamento, seriam destinados aos aterros. Na Alemanha, por exemplo, o lixo que acaba em aterros está abaixo de 1% da totalidade produzida, uma vez que a maioria dos resíduos são reciclados ou compostados. 

"O potencial de aproveitamento e recuperação da matéria orgânica já acontece em outros países do mundo. Envolve tanto soluções de baixo custo, como a compostagem, como soluções tecnológicas avançadas com geração de energia limpa e renovável, como a biodigestão”, afirma o presidente a, no relatório. 

A boa notícia é que já podemos tomar uma iniciativa e fazer a diferença ao apostar na compostagem doméstica. 

COMO FUNCIONA A COMPOSTAGEM

Para explicar de uma forma simplificada, a compostagem dá uma forcinha e acelera o processo biológico que ocorre naturalmente quando a matéria orgânica "se encontra" com microorganismos presentes no solo, responsáveis pela decomposição da mesma. 

Esses microorganismos, como fungos e bactérias, se alimentam da matéria orgânica e, com o tempo, vão produzindo nutrientes que fertilizam a terra. O resultado final, gerado em cerca de dois meses, é um adubo natural, livre de químicos. 

A compostagem caseira é um processo higiênico, que não exige muitos cuidados. Conheça mais:

MÉTODOS DE COMPOSTAGEM E COMO FAZER 

Há duas maneiras de fazer a compostagem doméstica: vermicompostagem (com minhocas) e compostagem seca (sem minhocas). 

1. Vermicompostagem

A vermicompostagem é o método mais rápido, já que as minhocas ajudam no processo de decomposição da matéria. Aqui, gera-se também o húmus  de minhoca, um material rico em flora bacteriana que fornece às plantas uma nutrição equilibrada e maior resistência a doenças. 

Passo a passo:

Para a montagem você vai precisar de 3 caixas plásticas escuras (uma com tampa), folhas secas, galhos e aproximadamente 100 minhocas. As caixas devem ser empilhadas uma em cima da outra,. As duas caixas superiores devem ter pequenos furos na base, de forma que uma se "comunique" com a outra – elas serão as responsáveis pelo processo de decomposição. A última caixa será utilizada apenas coletar o resíduo líquido orgânico (esse, por sua vez, pode ser diluído e aproveitado para regar plantas e hortas). Algumas opções, como a da Humi, á apresenta a última caixa como uma torneira embutida. Veja aqui.

Forre o fundo da caixa no topo com flores secas e galhos, base que funcionará como um dreno para composteira. Feito isso, deposite a terra e as minhocas e logo acima os resíduos orgânicos permitidos (veja abaixo quais são eles). Cubra novamente os resíduos com folhas secas – isso ajuda na oxigenação e evita odores desagradáveis. Por fim, coloque a tampa. 

O depósito de lixo orgânico deve ser feito cotidianamente. Quando a primeira caixa estiver cheia (isso deve demorar mais ou menos 1 mês, dependendo do tamanho da depósito), coloque-a embaixo e substitua pela vazia. A antiga caixa 2, agora será a do topo, a primeira. Repita o processo. 

O adubo estará pronto para ser coletado a cada 2-3 meses. 

Aqui uma dica de vídeo que esclarece o passo a passo do processo:

2. Compostagem seca 

Esta opção é considerada um pouco mais "arriscada", uma vez que pode causar mau cheiro caso o processo dê errado, no caso de, por exemplo, colocarem uma dosagem errada de elementos úmidos  na composteira. Abaixo a gente explica melhor os tipos de alimentos e materiais orgânicos permitidos.

Aqui o desenvolvimento do adubo é mais lento, uma vez que, sem o auxílio das minhocas, só os microorganismo fazem a decomposição. Além disso, é bom ficar atento que, aqui, não é raro que a falta de oxigenação (incentivado pelas minhocas) gere mofo. 

O passo passo é quase idêntico ao relatado acima, uma diferença é que nessa versão são permitidas outros elementos, como cascas de cebola e cascas de alho. 

3. Composteira automática

No entanto, outra técnica de compostagem é optar por uma composteira automática, que funciona à base de energia elétrica. As versões tecnológicas são formadas por microorganismo capazes de se multiplicar em altas temperaturas, salinidade e acidez – e, assim, permitem que alimentos mais ácidos (como frutas cítricas) sejam inseridos. Nelas, também são permitidos derivados do leite e pedaços de carne, frango e peixes, que não são possíveis nas versões "manuais". 

O procedimento é simples: basta colocar os elementos permitidos dentro do tanque e deixar que a máquina lide com as etapas. Em apenas 24 horas, o adubo estará pronto e disponível para uso.

PODE OU NÃO PODE? QUAIS RESÍDUOS VÃO NA COMPOSTEIRA

É preciso ter cuidado com os resíduos que vão para a composteira. Embora sejam orgânicos, nem tudo vale no processo de compostagem. Por isso, tenha atenção especial na hora de depositar o lixo, evitando problemas a degradação da matéria e processo de adubação. 

Restos de alimentos, como, frutas, verduras, legumes, cascas de ovos, grãos e sementes normalmente são liberados para compostagem. Sachês de chás (sem a etiqueta) e borra de café também valem. É necessário um cuidado na dosagem de elementos úmidos, como frutas cítricas, flores e alimentos cozidos. Por outro lado, carnes, arroz, trigo, limão, óleos e qualquer líquido (iogurte, leite, etc.), devem ser totalmente evitados. Veja mais na nossa ilustração: 

Veja aqui quais embalagens biodegradáveis podem ir para composteira.

CUIDADOS IMPORTANTES

Com a composteira já pronta para uso, é necessário ter alguns cuidados diários para evitar erros durante o processo de produção de adubos. 

  • Umidade: como comentamos acima, fique atento à quantidade de alimentos ou outros materiais úmidos que vão para a composteira – e sempre cubra os resíduos com folhagens. Além de prejudicar o processo, a umidade extrema pode trazer moscas a sua casa – coisa que ninguém quer, né? Você também não vai querer que o material fique muito seco.

  • Temperatura: cuidado também com o local em que você for colocar a composteira. Evite um em que tenha luz direta excessiva, por tempos prolongados, porque isso também pode afetar o processo. O aconselhado é que você evite lugares com contato com o sol ou possíveis chuvas. 

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